Usuários do transporte público reclamaram na manhã desta
segunda-feira (8) que, mesmo apelando para vans piratas, encontraram
dificuldades para chegar ao trabalho no primeiro dia degreve dos
rodoviários do Distrito Federal. A paralisação teve início à meia-noite,
afeta as cinco empresas e prejudica mais de 1 milhão de pessoas de
todas as regiões administrativas. A categoria pede reajuste de 20% nos
salários e 30 % nos benefícios – as empresas oferecem 8,34%, com base no
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Grávida de sete meses, a comerciária Leda Rodrigues, chegou à
rodoviária do Plano Piloto usando metrô. Ela partiu de Samambaia e disse
estar com dificuldade para ir até a L2 Sul.
“Daqui até ali na L2 é um pulo, mas até os piratas estão lotados. É
muito complicado, estou desconfortável em pé, esperando com o barrigão. O
cara da van me disse que eu tinha que ter avisado antes, que agora já
encheu”, afirmou.
A operadora de telemarketing Gabriela Marques trabalha no SIA. Para
chegar de Planaltina na rodoviária, ela recorreu à lotação irregular.
“Foi o jeito, senão nem aqui estava. Estou procurando um transporte há
mais de duas horas. Não tem nada para o SIA. É uma calamidade.”
Foi o jeito [pegar transporte piarata] senão nem aqui
estava. Estou procurando um transporte há mais de duas horas. Não tem
nada para o SIA. É uma calamidade”
Gabriela Marques,
operadora de telemarketing
Gabriela afirma saber que as vans são uma opção arriscada. “Entro
pedindo a Deus para não ser assaltada. Se a polícia pega a gente, fica
sem o dinheiro da passagem e no meio do caminho”, completou.
O soldado Matheus Carvalho tinha de estar no Setor Militar Urbano às
8h, mas até às 8h30 não conseguiu sair do terminal. “Vim de metrô de
Ceilândia, chego aqui e não tem ônibus. Já avisei que estou atrasado. A
única opção é pegar o pirata. Estou esperando.”
A auxiliar de limpeza Andreia Ribeiro foi de ônibus para a rodoviária
porque mora em Águas Lindas de Goiás, onde não há greve dos
rodoviários. “Só por isso consegui. Agora tenho de pegar o circular para
a L2 Sul. A população depende dos piratas, as vans fazem falta”, disse.
Sem fiscalização
Mesmo com a presença da Polícia Militar na rodoviária, os transportes
ilegais atuavam livremente pela manhã desta segunda. Os preços das
passagens aumentaram por causa da greve. Viagens para a W3 Sul, que
usualmente custam R$ 2, saíam por R$ 3.
PMs disseram que não receberam determinação para coibir os piratas. O sargento Odécio Soares, responsável pelo local, disse ao
G1 que o dia “estava atípico”.
“Normalmente tem fiscalização, mas hoje é um dia atípico. Se a gente
for pegar os piratas, ninguém entra nem sai. Ninguém vai trabalhar”,
declarou.
Metrô lotado
Devido à falta de ônibus, o metrô também ficou lotado, segundo
passageiros. A auxiliar administrativa Flávia Mendes pegou o trem em
Ceilândia.
“No início estava até tranquilo, pois venho da última estação de
Ceilândia, mas depois lotou. Tenho uma amiga que está na estação
Concessionárias e não consegue embarcar. Tenho que pegar um ônibus e não
sei como está. Estou preocupada”, conta.
Funcionário de um hotel, Anderson Rabelo afirmou que o metrô estava
mais cheio do que de costume. “Estava socado, horrível. Tinha o triplo
de gente. Foi o segundo trem em que consegui embarcar.”
Prejuízo
Dono de uma lanchonete na rodoviária, João Mendes reclamou que está
tendo prejuízo com a greve. “Está com pouco movimento. Às 8h de um dia
normal já tinha vendido uns 250 salgados. Até agora, vendi só uns cem.”
O taxista orlando Oliveira também disse ter sido prejudicado. “Estou
aqui desde as 6h e só fiz três corridas. O povo prefere andar de pirata,
se arriscar, do que pegar um táxi. Depois reclamam que falta táxi.
Falta é passageiro.”
Greve
Descumprindo a liminar do Tribunal Regional do Trabalho que determina
que 70% dos ônibus circulem em horário de pico e 50% no entrepico,
motoristas e cobradores do transporte público cruzaram os braços e
paralisar todo o serviço.
A opção é contrária à indicação do sindicato da categoria, que pediu
aos rodoviários que cumprissem a liminar do TRT. A multa diária por
descumprimento da decisão é de R$ 100 mil. Os horários de pico vão de 5h
às 9h30, das 11h às 13h e das 15h às 19h30.
O DF tem cerca de 12 mil rodoviários. Com a greve, as paradas de
ônibus amanheceram lotadas. Policiais militares acompanharam a
movimentação na garagem da Pioneira em Santa Maria, responsável por 200
mil passageiros de nove regiões. O DER liberou o trânsito de carros nas
faixas exclusivas da EPTG e da EPNB até o meio-dia para diminuir os
transtornos.
Com informações G1DF/Correio