Usar o smartphone ou tablet para checar emails ou manter contato com
uma pessoa distante já se tornou um processo comum no dia a dia das
pessoas. Em alguns anos, no entanto, estes dispositivos também servirão
para dirigir ou estacionar o carro sem a necessidade de um motorista. Se
a cena parece tirada de um filme futurístico, saiba que esta realidade
está mais próxima do que você imagina.
"Nosso carro urbano
inteligente começou a ser desenvolvido há cerca de um ano e meio. Este é
o primeiro prótótipo e está praticamente pronto, portanto, caso alguma
montadora esteja interessada em implementar estes sistemas em um modelo
pequeno, é possível fazer isso em menos de uma década", explica Gerhard
Gumpoltsberger, engenheiro chefe da ZF, um dos principais fabricantes de
peças automotivas do mundo, durante apresentação do Smart Urban
Vehicle, em Berlim, na Alemanha.
Além deste carrinho "esperto", o
iCarros conheceu
cerca de 15 veículos - entre compactos como o VW Up! elétrico e
esportivos como Porsche 911 Turbo S e o novo Mercedes-Benz GLE Coupé -
para avaliação de equipamentos já disponíveis no mercado ou que estão em
fase de testes para chegar a curto ou longo prazo à indústria
automotiva, como cintos de segurança com tensionadores inteligentes ou
sensores para desvio automático de obstáculos durante a condução.
Qual a senha do wi-fi?
O veículo urbano
inteligente é um conceito que integra uma série de tecnologias com o
objetivo de tornar o transporte autônomo e eficiente. Com o tamanho
semelhante ao de um Volkswagen Up!, é movido por uma bateria de 40 kW,
que pode fazê-lo alcançar velocidade máxima de 150 km/h. O compacto
integra uma série de câmeras e sensores, mas o principal diferencial
está na forma como é comandado: por meio smartphone, tablet ou relógio
inteligente.
Com um sinal de wi-fi, o Smart Urban Vehicle pode ser
conduzido sem que tenha alguém dentro do carro. Além desta interface
digital, o veículo possui 12 sensores de ultrassom e dois infravermelhos
na parte dianteira, traseira e laterais que avaliam o espaço ao redor
do carro para movimentá-lo ou estacioná-lo. Todo o controle é feito pode
meio do toque de um dedo.
Outro diferencial da novidade fica por
conta do ângulo de esterçamento das rodas, que chega a 75° e permite,
dessa forma, que ele identifique vagas menores, seja perpendicular ou
paralelamente. A vantagem fica por conta da otimização do espaço e da
possibilidade de não precisar abrir as portas para sair do carro após
estacioná-lo, já que o motorista está fazendo todo o processo por fora.
Dentro
do veículo, há um botão giratório com os comandos básicos: D (drive), R
(ré) e P (parar). Acima dele, a tela de um tablet com o desenho de um
carro visto por cima é o "volante" do condutor caso ele não queira usar a
direção elétrica de forma tradicional. Basta tocá-la e pressionar o
dedo que o carro começa a se movimentar para frente, para a direita ou
esquerda com o deslizamento o dedo para todos os lados conforme as setas
da imagem.
Mas se a ideia é fazer tudo isso de fora do Smart
Urban Vehicle, também é possível. Basta lembrar da época em que você
brincava com um carrinho de controle remoto, mas substitua este comando
por um celular, tablet ou relógio inteligente. Leva um tempo até
acostumar e, em alguns momentos, sua fama de bom motorista pode até ser
colocada à prova pela perpecpção diferenciada de condução, mas o treino
não deixa de ser divertido.
Outro sistema integrado a um
prótótipo colocado para avaliação colocado pela ZF é o Pre Vision Cloud.
Por meio de armazenamento de dados na nuvem, o veículo memoriza as
rotas comumente traçadas pelo motorista e já antecipa algumas funções do
veículo para tornar a condução mais segura. Se no caminho de volta do
seu trabalho para casa houver uma curva fechada, por exemplo, o veículo
interpreta sinais digitais e já antecipa a redução do torque para que o
automóvel não entre em alta velocidade na curva, ou seja, dispensa a
frenagem "humana".
Agora, sem as mãos
Outro
equipamento apresentado pela ZF foi um sistema de reconhecimento e
mudança automática de faixa da via. Na estrada, basta o motorista
selecionar por meio do piloto automático qual velocidade deseja trafegar
que o equipamento dá conta não só de reconhecer se há algum outro
automóvel à frente e reduzir a velocidade, como mudar de faixa
automaticamente. Ou seja, basta ao motorista monitorar o que está
acontecendo e ficar, literalmente, de braços cruzados.
Por meio da
alavanca da seta, selecionada para a direita ou esquerda, o veículo
reconhece a linha contínua do asfalto, avalia se há outro carro vindo
nesta direção e realiza a transição de posição do veículo. Enquanto o
condutor não trouxer a alavanca de volta, ele continua trocando, até
encontrar o limite lateral da via.
Quando questionado sobre a
possibilidade de o condutor realizar outras tarefas enquanto o carro
anda sozinho, o instrutor foi firme, como bom alemão: "o sistema dá mais
tranquilidade e folga aos braços, mas, em hipótese alguma, o motorista
deve tirar sua atenção da condução". Pelo menos, no mundo ideal,
distração e direção não se misturam...